Huberto Rohden

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domingo, 5 de dezembro de 2010

"Bem-aventurado os pacificadores"

Pacificador é, pois, aquele que faz a paz, é um "fazedor de paz", um homem que possui em si a força creadora de estabelecer ou restabelecer um estado ou uma atitude permanente de paz no meio de qualquer campo de batalha.


Quem é, pois, verdadeiro pacificador?


Não é, em primeiro lugar, aquele que restabelece paz entre as pessoas ou grupos litigantes, mas sim aquele que estabelece e estabiliza a paz dentro de si mesmo. Aliás, ninguém pode ser verdadeiro pacificador de outros, se não for pacificador de si mesmo. Só um autopacificador é que pode ser um alo-pacificador.


Todos os conflitos externos são filhos de algum conflito interno não devidamente pacificado. Por isto, é absurdo querer abolir as guerras ou revoluções de fora, as discórdias domésticas no lar ou no campo de batalha, enquanto o homem não abolir primeiro o conflito dentro da sua própria pessoa.


O grande tratado de paz tem de ser assinado no foro interno do Eu individual antes de poder ser ratificado no foro externo das relações sociais. Nunca haverá Nações Unidas, nunca haverá sociedade ou família unida enquanto não houver indivíduo unido.


A verdadeira paz é um carisma divino, uma graça, uma dádiva de Deus, que é dada a todo o homem que se torna receptivo para receber esse tesouro. A verdadeira paz não pode ser manufaturada pelo ego humano, porque esse ego é o autor de todas as discórdias que existem sobre a face da Terra. Só quando esse pequeno ego humano se integra no grande Eu divino é que pode surgir uma paz duradoura.

Quem tem firme consciência de possuir a plenitude do ser pode facilmente renunciar à abundância do ter. Quanto maior é o ser de uma pessoa, menor é o seu desejo de ter; e, como toda a falta de paz nasce do desejo de ter, e ter cada vez mais, é lógico que o homem que reduziu ao mínimo o seu desejo de ter, não tem motivo para perder a paz.

A paz é, pois, um atributo do ser, é algo qualitativo, algo que tem afinidade com o EU SOU do homem. O homem que tem plena consciência do seu divino EU SOU não tem motivo para brigar  ou declarar guerra a alguém por causa dos teres , que desunem os profanos.

Por isto, em vez de brigar por causa da capa que alguém lhe roubou, esse milionário do ser oferece tranqüilamente ao ladrão  também a túnica, porque nem a capa e nem a túnica fazem parte do seu ser. E, destarte, ele não sofre perda alguma real: perda dois zeros em vez de um zero, mas a perda de dois zeros(capa e túnica) não é perda maior do que perder um zero(capa).

O homem que estabeleceu a paz de Deus em sua alma é um poderoso fator  para restabelecer  a paz em outros indivíduos e através destes, na sociedade. Os pacificadores serão chamados "filhos de Deus". Deus é paz eterna, infinita, absoluta; não a paz da inércia, fraqueza, vacuidade- mas a paz da dinâmica, da força e da plenitude. Nele não há discórdia, luta, conflito; e quanto mais o homem se aproxima de Deus, pela compreensão e pelo amor, tanto mais a sua vida se assemelha à vida divina pela paz e serenidade. O homem que fez definitivo tratado de paz consigo mesmo, irradia uma atmosfera de calma e felicidade que contagia a todos que forem suficientemente suscetíveis para perceber essas auras pacificantes.

O Sermão da Montanha,páginas 40 a 44(2003)-Editora Martin Claret-Coleção a Obra-Prima de Cada Autor.

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