Huberto Rohden

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terça-feira, 26 de abril de 2011

Mantém contato com a natureza

É fato histórico que todos os homens realmente espiritualizados e profundamente felizes eram e são dedicados amigos da natureza...Refere o livro do Gênesis que Deus pôs o homem no meio de um jardim maravilhoso, uma espécie de pomar chamado Éden, para que cultivasse e se alimentasse de seus frutos. Só depois que o homem cometeu o primeiro homicídio é que ele abandonou a Natureza de Deus e preferiu a cidade dos homens. O homem espiritualizado, porém, continua amigo do Éden de Deus...


O homem primitivo, meramente sensorial, é escravo da Natureza.
O homem intelectualizado é escravocata e explorador da Natureza.
O homem espiritual é amigo e aliado da Natureza; compreende a Natureza, e a Natureza o compreende.


A nossa civilização moderna fez com que o homem se divorciasse, total ou parcialmente, da Natureza, fazendo o viver num ambiente artificial, desnatural, antinatural, não menos prejudicial ao corpo do que à alma...


O que leva muitos homens a abandonarem os campos e se aglomerarem nas cidades não é só a necessidade de cultura nem mesmo o desejo de lucros fáceis e rápidos,mas sim, e sobretudo, o horror à solidão. A solidão externa aterra o homem que não possui plenitude interna. Esse homem, interiormente vazio, tenta fugit de si mesmo e encher com barulhos externos a sua vacuidade interna...


...O homem moderno nunca voltará aos tempos do homem pré histórico, ou dos silvícolas de nossas florestas. A verdadeira natureza do homem é espiritual, divina. O verdadeiro regresso à Natureza é, pois, um "ingresso", uma entrada do homem para o seu próprio interior, espiritual, eterno, divino...


Só quando o homem atinge a sua verdadeira natureza espiritual é que ele se torna plenamente natural- e só então começa ele a compreender a alma da Natureza ao redor dele. Os nossos poetas e romancistas, não raro, celebram os encantos da natureza; mas a maior parte deles só conhece o corpo da Natureza, ignorando-lhe a alma.


Só o homem que encontrou dentro de si a natureza da alma é que pode compreender a alma da Natureza fora de si mesmo. Para, de fato, compreender a Natureza de Deus deve o homem compreender o Deus da Natureza.

Hoje em dia, milhares de pessoas das grandes cidades passam os domingos e feriados em seus sítios. Infelizmente, muitos desses "sitiantes" são verdadeiros "sitiados", porque vivem em voluntário "estado de sítio". O fato de não terem encontrado a sua natureza interior não os deixa viver na simbiose com a alma da natureza exterior.

Fugiram da poluição material da cidade, mas carregam consigo e transferem para o campo e para o mato a sua poluição mental e espiritual... O verdadeiro sitiante vai dormir cedo e acorda cedo, com o sol ou antes dele. Planta árvores frutíferas para si e sua família e para os passarinhos.

Não mata passarinhos nem os aprisiona em gaiolas. Convive com a alma de todos os seres vivos.

O caminho da felicidade, páginas 99 a 101-Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

sábado, 23 de abril de 2011

Não creias numa morte real!

Para milhares de pessoas, é a perspectiva da morte inevitável o principal motivo de infelicidade. E essa infelicidade cresce na razão direta em que se aproxima, inexoravelmente, o fim da existência terrestre. Aprenderam, em crianças, que a morte é o fim da vida, e não conseguiram, mais tarde, libertar-se desse erro tradicional. Pelo contrário, o horror à morte foi neles intensificado por certas doutrinas teológicas sobre um estado definitivo post-mortem...


A vida continua lá onde parou. Não pode um processo material e meramente negativo, como é a destruição do organismo, modificar essencialmente a vida do homem. Não pode a morte negativa fazer o que a vida positiva não faz.


Quando um ovinho de borboleta "morre" para o seu estado primitivo, não morre a vida interna do ovo, morre apenas o invólucro externo dele, a fim de possibilitar à vida latente e pequenina uma expansão maior e mais bela....Morre a pequena vida do ovinho para que possa viver a vida maior da lagarta.


Quando, semanas mais tarde, a lagarta também "morre" e se imobiliza no misterioso ataúde da crisálida ou do casulo, mais uma vez essa pseudo morte preludia uma nova fase de vida, mais ampla e plena que as duas etapas anteriores.


Finalmente, vem a terceira "morte" desse inseto em evolução ascencional e o ocaso dessa terceira fase da vida é a alvorada da vida mais deslumbrante que vai despontar- a borboleta.


Em cada nova metamorfose, o inseto morre com a mesma tranquilidade com que nasce e renasce, porque sabe institivamente que essas vicissitudes de luz e trevas, de movimento e imobilidade, de expansão e contração são necessárias para atingir a meta final de sua evolução. O inseto não é capaz de crear uma falsa teologia ou filosofia sobre si mesmo, e por isso não teme a morte, prelúdio de uma vida nova.

Também o homem "morre" a cada noite, quando se recolhe ao sono- a fim de ressuscitar, no dia seguinte, com vida nova e maiores forças. É uma inconsciência entre duas consciências. Assim como o sono não atinge a vida central do nosso Eu, e sim apenas o invólucro periférico, do mesmo modo a morte não afeta a nossa íntima essência, que dá vida aos invólucros externos...

Quando, pois, vês morrer um dos teus entes queridos, leitor, não te entristeças, não chores desconsolado, não fales em desastre ou catástrofe, não te cubras de luto. Fica em silêncio por algum tempo, abisma-te em ti mesmo, acompanhando com a alma a metamorfose da tua "borboleta"...

O melhor meio para não ter medo da morte é praticar diariamente a "morte voluntária", antes que venha a morte compulsória..."Eu morro todos os dias", escreve Paulo de Tarso,"e é por isso que eu vivo; mas não sou eu que vivo, é o Cristo que vive em mim."

O caminho da felicidade, páginas 91 a 95-Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

domingo, 17 de abril de 2011

Seja o teu alimento o teu medicamento!

Se o homem observasse feilmente este preceito lapidar do médico/filósofo Hipócrates, reduziria em mais de 50% as suas misérias físicas. A humanidade de hoje costuma a ingerir dois tipos de venenos: uns chamam- se alimentos, outros chamam- se medicamentos. Se o homem ingerisse alimentos sadios, não teria necessidade de medicamentos. Saúde é harmonia com as leis da natureza, doença é desarmonia. As doenças não fazem parte do inventário  das matérias ou forças da natureza. As moléstias ocorrem por conta do abuso que o organismo faz das leis da natureza. Abuso é moléstia, uso é saúde.


Muitos homens se dizem infelizes porque não têm saúde. Ainda que a doença não seja, de per si, idêntica à infelicidade- porque é apenas sofrimento físico/mental- contudo, a moléstia predispõe para a infelicidade, sobretudo em se tratando de pessoas de pouca espiritualidade....


A ignorância das leis da natureza, a não observância da harmonia entre o indivíduo e o Universal- eis a causa principal dos nossos sofrimentos, nossos e da humanidade organicamente relacionada conosco...


O nosso corpo é o resultado dos alimentos que assimila. Se esses alimentos forem inteiramente saudáveis e consubstanciosos, não produzem doenças, nem haverá necessidade de remédios de espécie alguma...

Está cientificamente comprovado, tanto pela forma da dentição como pelas vias digestivas, que o homem não é carnivoro, como cães e gatos, nem propriamente herbívoro, como vacas e cavalos, mas antes frugívoro, como os símios e certos roedores. A principal dieta do homem deve consistir de frutas e sementes de toda espécie, aos quais poderá ser adicionada certa porcentagem de verdura.

A carne adulta não faz parte do cardápio humano, embora certos derivados de origem animal, como ovos e leiite, possam ser usados sem prejuízo. A abstenção de carne não é, em primeiro lugar,  um postulado de ordem ética, mas sim um imperativo de ordem biológica...

Todo e qualquer alimento é produto da luz solar. Essa luz ou energia solar, armazenada nos alimentos, chama-se "caloria". Nos vegetais a energia solar existe em primeira instância, isto é, em estado mais puro... A ciência provou que todas as coisas são "lucigênitas" (feitas de luz) e podem, por isso, ser "lucificadas"(transformadas em luz)....

A palavra latina vegetus de que derivamos "vegetal" e "vegetário", quer dizer "forte", "sadio".... As nossas doenças são filhas da nossa ignorância e moleza. Viver de acordo com a sapientíssimas leis da natureza é viver com saúde e felicidade.

O caminho da felicidade, páginas 77 a 82-Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

domingo, 3 de abril de 2011

Mantém permanente unidade na intermitente variedade!

Solicitei aos meus alunos de filosofia, em São Paulo, que me dessem umas sugestões pessoais sobre o que pensavam do problema da felicidade. Um deles escreve quase duas laudas a máquina, contendo numerosas variações de uma idéia central, que culmina no seguinte: para haver felicidade, deve haver intermitências periódicas; a permanência contínua de qualquer estado, por mais agradável em si, embota a sensibilidade,e,  por tanto, a consciência da felicidade; assim, quem estivesse sempre farto, ou sempre esfomeado, não seria feliz; para haver felicidade  é necessário que haja sucessão de fome e fartura: quem sempre descansasse ou sempre trabalhasse não seria feliz; é necessário que haja sucessão de trabalho e descanso; o maior dos gozos físicos ou mentais deixaria de ser gozo se não fosse alternado com o seu contrário. A felicidade,por tanto, consiste antes em um processo ou fluxo do que num estado ou quietação.


Que dizer quanto a isto?
Há nisso muita verdade- não, porém, a verdade total...


Para haver felicidade deve haver tanto permanência como intermitência- assim como, para haver cinema, deve haver uma tela branca, imóvel(permanente) e deve haver figuras que sobre ela se movam(intermitentes). A tela branca não é o cinema, nem as figuras em movimento podem ser projetadas no ar. Só a junção entre o imóvel e os movidos é que constitui o cinema como realidade total.


Unidade e variedade são fatores essenciais para a felicidade- ou seja, permanência e intermitência.


Parece até que no reino da Infinita Divindade vigora essa mesma lei universal: Deus é uno em sua essência, porém, múltiplo em suas existências: um no ser, muitos no agir...


Essa unidade na diversidade chama-se Universo, palavra genial, da qual nasceu a nossa Filosofia Univérsica. Tanto no macrocosmo mundial como no microcosmo hominal vigora o princípio da unidade na diversidade. O homem integral é o homem cósmico, o homem univérsico.


Há  duas coisas mortíferas: O caos e a monotonia.
Caos é variedade sem unidade.
Monotonia é unidade sem variedade.
Nem essa e nem aquela é felicidade.


A felicidade consiste essencialmente na harmonia que é unidade com variedade. Onde falta um dos dois elementos não há felicidade. A unidade é garantida pela essência permanente do homem- a variedade é creada pelas existências intermitentes, isto é, pelo processo evolutivo ou diversas fases de desenvolvimento do homem...


O homem moderno é, muitas vezes, infeliz,  não por monotonia, mas em virtude do caos de sua vida... Vítima de mil quantidades externas, não chega a experimentar a qualidade interna do seu ser. Muita são as coisas que ele tem ou deseja ter- pouco é aquilo que ele é... O homem moderno é existencialista, mas deixou de ser essencialista....


Com medo de ser monótono, acaba sendo caótico. Mas o caos não é menos infelicitante que a monotonia; são dois assassinos eqüidistantes da felicidade vivificante.


Pode ser que o homem oriental não seja feliz, por hipertrofia de passividade- mas, se o homem ocidental é infeliz, é quase sempre por hipertrofia de atividade e atrofia de passividade. A harmonia entre a extrema passividade e a externa atividade seria uma passividade...


Passividade é permanência- atividade é intermitência.


Em que consiste esta passividade ou permanência de atitude?


Consiste, antes de tudo, na consciência nítida da nossa eternidade, do nosso Ser absoluto, infinito, da nossa essencial divindade( contrabalançada pela existência humana). Consiste no descobrimento do nosso Eu central, do nosso Emanuel, do nosso Cristo interno, do Reino de Deus dentro de nós, consiste em nossa autorrealização, na nítida consciência daquilo que, na realidade, somos.


A felicidade do homem ocidental não pode ser conseguida pela diminuição das suas atividades externas, intermitentes- mas sim pela intensificação  da consciência de sua unidade interna, permanente.  Somos infelizes porque, de tão dispersos que andamos pelas periferias múltiplas do mundo de fora, deixamos de saborear a repousante convergência para o nosso centro de dentro, a realidade do seu verdadeiro EU.


A nossa consciência telúrica é máxima- a nossa consciência cósmica é mínima...


A consciência telúrica é gerada pelos sentidos e pelo intelecto- a consciência cósmica é filha da razão ou do espírito.


A solução não está, pois, em abolirmos as nossas atividades horizontais, dos sentidos e do intelecto, mas em lhes acrescentarmos a atividade vertical da razão espiritual. A felicidade é essencialmente cósmica, isto é, nascida do consórcio do físico-mental com o racional(espiritual), isto é,  o homem integral, univérsico.


O homem mais feliz que já apareceu na face da Terra foi Jesus, o Cristo, porque nele era a máxima a consciência cósmica da sua identidade com o Infinito "Eu e o pai somos um", aliada à perfeita consciência telúrica da diferença entre ele e o Infinito. "O Pai é maior do que eu."


No dia e na hora em que a consciência telúrica do homem do homem físico-mental for plenamente integrada  na consciência cósmica do homem racional- nascerá o homem perfeitamente feliz.

O caminho da felicidade, páginas 68 a 71, Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

quarta-feira, 23 de março de 2011

Olha para além dos horizontes!

Tudo o que agora dissemos sobre o caminho da felicidade  e os meios para alcançá-la será praticamente tão difícil que a maior parte dos leitores não conseguirá  realizar o supremo ideal, se não habituar a olhar para além dos horizontes da vida terrestre.


A fim de prevenir qualquer equívoco ou mal entendido, vamos, logo de início, deixar bem claro o que entendemos com a expressão "olhar para além dos horizontes"....Quer dizer...encarar a vida humana em toda a sua  plenitude real, e não apenas num aspecto fragmentário, incompleto.


Exemplifiquemos: se uma lagarta quisesse resolver os problemas da sua vida de inseto voraz apenas na base dessa sua existência provisória, de lagarta, ignorando as outras fases de sua vida, sobretudo a da borboleta alada, não acertaria jamais com a solução satisfatória, porque a sua existência de hoje só é compreensível à luz da sua existência de amanhã...


Semelhantemente, quando o homem toma a sua vida terrestre separadamente da sua existência total, do seu destino futuro, para o qual a vida presente está como o estágio da largata para o da borboleta- não encontra explicação para certas realidades da vida terrestre, sobretudo para os inevitáveis sofrimentos. E essa falta de explicação satisfatória gera infelicidade.


O sofrimento em si não gera infelicidade; a infelicidade em todo seu amargor provém do caráter absurdo e paradoxal do sofrimento. Uma vez destruído este caráter revoltante por meio de uma compreensão serena e real...

A parte não se explica pela parte, mas somente pelo Todo. O fragmento é absurdo e sem sentido quando não relacionado, como parte integrante,a um Todo maior...

A consciência telúrica do homem de hoje, creada pela inteligência personal, produz a infelicidade da vida, por falta da integração na consciência cósmica do homem de amanhã, consciência essa gerada pela razão espiritual, pelo Cristo dentro de nós.

A convicção de uma vida futura- ou melhor, a continuação da vida presente- não é apenas um artigo de fé dogmática, como, por outro lado, não é desmonstrável por argumentos analíticos da simples inteligência... Uma vez adquirida essa certeza definitiva da vida eterna pós-morte, o homem acha fácil e espontâneo colocar a sua vida terrestre, de poucos decênios, como parte integrante desse grande Todo da sua vida sem fim...

Crer na imortalidade é necessário, mas não é suficiente. A crença é da vontade, a ciência é do intelecto, a sapiência é da razão, ou do espírito.

Entretanto para que essa certeza intuitiva nasça da alma, duas coisas são necessárias,a saber: 1)Ter fé na realidade da vida eterna. 2)Harmonizar a sua vida cotidiana com o conteúdo dessa fé...

Os mais conhecidos obstáculos para essa fé eticamente vivida são os seguintes: a cobiça, a luxúria,  o orgulho,a desenfreada caça aos bens terrenos, a ânsia de elogios e aplausos, o desejo de um coforto material excessivo, a falta de controle e disciplina sobre os nossos pensamentos e sentimentos, o egoísmo em todas as suas manifestações- tudo isso é como imundície que obstrui  os canais por onde deviam fluir as águas límpidas da certeza intuitiva da vida eterna, sem a qual não pode haver verdadeira tranquilidade, paz e felicidade interiores.

Harmozinar a sua vida cotidiana com os ditames de sua fé é o requisito número um  para a formação de uma consciência clara e sólida sobre a imortalidade. Por mais difícil  que seja essa harmonização  da vida com a fé, vale a pena empenhar o máximo para tal, mesmo que seja no último quartel da vida terrestre, porque a verdadeira felicidade  vale por todos os sacrifícios.

O caminho da felicidade, páginas 49 a 53,  Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Não pares a meio caminho!

cOs que estudaram o primeiro capítulo, sobre os erros fundamentais do homem comum quanto à noção do seu "eu", terão perguntado a si mesmos: por que é que a maioria do gênero humano ignora o seu verdadeiro "eu"? Por que é que a quase totalidade dos homens considera  o seu ego-físico/mental como a essência da sua individualidade? Não sugere essa confusão geral a idéia  de que o homem não foi creado para conhecer a verdade, sobretudo a importantíssima verdade sobre a íntima natureza do seu ser?


Respondemos o seguinte: O homem de hoje é ainda um ser incompleto, provisório, em plena jornada evolutiva, longe do seu destino final...Até hoje, só apareceu sobre a face da Terra um único homem plenamente desenvolvido, física, mental e espiritualmente; e esse "filho do homem" nos disse: "Vós fareis as mesmas obras que eu faço, e as fareis até maiores". O que nesse homem estava plenamente desenvolvido acha-se, no comum dos homens, ainda em estado embrionário, latente, meramente potencial.


O homem compõe-se dos elementos material(corpo),mental(intelecto) e racional ou espiritual(alma); e, como toda evolução procede de fora para dentro, da periferia para o centro, da quantidade para a qualidade, era natural que o homem descobrisse, em primeiro lugar, o elemento material do seu ser, isto é,o seu corpo dotado dos cinco sentidos.


Os cinco sentidos são, por assim dizer, cinco portas ou canais, que põem o homem em contato com o mundo material ao seu redor. Por meio desse contato sensorial com o ambiente externo, enriquece o homem o seu ser, assimilando algo desse mundo físico...


Além dos cinco sentidos,esses portais externos, possui o homem três faculdades internas de conhecimento, que são o intelecto, a imaginação e a memória. Pelo intelecto elabora o homem ulteriormente a matéria-prima que os sentidos lhe forneceram; isto é, percebe as invisíveis relações, ou leis, que regem os fenônemos visíveis. Os sentidos apenas "percebem" os fatos concretos, ao passo que o intelecto "concebe" as leis abstratas que regem esses fatos...


Pela imaginação crea o homem imagens internas  dessas mesmas relações ou leis que o intelecto descobriu. A memória por assim dizer, armazena e arquiva o conteúdo do intelecto e da imaginação, tornando o homem capaz de evocar e representar( isto é, tornar novamente presentes) fatos ocorridos no passado ou a distância...


A transição  da simples percepção sensória para a concepção intelectual do homem deve ter demandado muitos milhares ou milhões de anos, porque essa nova consciência intelectual supõe profunda modificação nos nervos, mudança essa que se processou a passos mínimos em espaços máximos, como aliás toda a evolução. Os nervos são como que antenas ou aparelhos receptores de ondas invisíveis. Para captar as "ondas longas" emitidas pelos objetos do mundo material bastam os receptores primitivos dos sentidos; mas para captar as "ondas curtas" das invisíveis leis que regem a matéria, requer-se um aparelho receptor muito mais delicado e sutil.


Hoje  em dia, na Era Atômica, esse receptor intelectual do homem atingiu a grande perfeição, pondo a humanidade em contato com realidades que nenhum sentido orgânico pode verificar.


Entretanto, a faculdade racional(chamada também de espiritual ou intuitiva) do homem acha-se ainda em estado tão embrionário como era, em épocas remotas,a faculdade intelectiva da nossa raça...


Segundo Teilhard de Chardin, o homem percorre quatro estágios evolutivos: hilosfera(material), biosfera(vital), noosfera(intelectual) e logoesfera(racional)...


A humanidade, salvo raras exceções, se encontra hoje no estágio sensitivo-intelectivo, ignorando, total ou parcialmente, o mundo racional ou espiritual. Portanto, esse mundo por nós ignorado não exerce sobre a nossa vida influência ponderável.

Ora, o mundo sensitivo-intelectivo é o mundo do egoísmo individual, fonte de todos os dolorosos problemas e da infelicidade da vida humana. Com a entrada no mundo racional ou espiritual, o homem ultrapassaria as zonas desses problemas infelicitantes, oriundos do egoísmo unilateral; entraria na zona do altruísmo ou do amor universal.

Segue-se logicamente que a conquista definitiva da felicidade imperturbável depende essencialmente do descobrimento prático desse vasto mundo racional...

O Caminho da Felicidade,páginas 41 a 44, Segunda Edição-2005,Editora Martin Claret

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Que é ser feliz?

Que é ser feliz?


Ser feliz é estar em perfeita harmonia com a constituição do Universo, consciente ou inconscientemente. A natureza extra-hominal é inconscientemente feliz, porque está sempre, automaticamente, em harmonia com o universo. Aqui na Terra, só o homem pode ser conscientemente  feliz e também conscientemente infeliz.


...Com o homem começa a bifurcação da linha única da natureza; começa o estranho fenônemo  da liberdade em meio à universal necessidade. A natureza só conhece um dever compulsório. O homem conhece um querer espontâneo,seja rumo ao positivo,seja rumo ao negativo.


O desejo universal é a felicidade-e, no entanto, poucos homens se dizem felizes. A imensa maioria da humanidade tem a potencialidade ou possibilidade de ser feliz-poucos têm a felicidade atualizada ou revisada...


Qual a razão última por que muitos homens não são felizes, quando o poderiam ser?


Passam a vida inteira marcando passo no plano horizontal do seu ego externo, e ilusório-nunca mergulharam nas profundezas verticais do seu Eu interno e verdadeiro. E quando a sua infelicidade se torna insuportável, procuram atordoar, esquecer, narcotizar temporariamente esse senso e infelicidade, por meio de diversos expedientes da própria linha horizontal, onde a infelicidade nasceu...


Camuflar com derivativos e escapismos a infelicidade não é solucionar o problema; é apenas o mascarar e transferir a infelicidade para outro tempo- quando a infelicidade torna a se manifestar com redobrada violência.


Remediar é remendar-não é curar,erradicar o mal.


A cura e a erradicação consiste unicamente na entrada em uma nova dimensão de consciência e experiência. Não consiste em uma espécie de continuísmo- mas sim em um novo início, em uma iniciativa inédita, numa verdadeira iniciação...


Todos os mestres da humanidade afirmam que a verdadeira felicidade do homem, aqui na Terra, consiste em "amar o próximo como a si mesmo". Ou então em "fazer aos outros o que queremos que os outros nos façam."


Existe essas possibilidade de eu amar meu semelhante assim como me amo a mim mesmo?
Em teoria,muitos o afirmam; na prática poucos o fazem.
De onde vem essa dificuldade?


Da falta de um verdadeiroa autoconhecimento. Pouquíssimos homens têm uma visão nítida da sua genuína realidade interna; quase todos se identificam com alguma facticidade  externa, com o seu ego físico, seu ego mental ou seu ego emocional. E por essa razão não conseguem realizar o amor-alheio igual ao amor-próprio...


Amor-próprio não é necessariamente egoísmo. Egoísmo é o amor-próprio exclusivista, ao passo que o verdadeiro amor-próprio é inclusivista, inclui todos os amores-alheios no seu amor próprio, obedecendo assim ao imperativo na natureza e à voz de todos os mestres espirituais da humanidade.


Enquanto o homem marca passo no plano horizontal do seu ego, o que pode haver em sua vida é guerra e armistício-mas nunca haverá paz... O ego ignora totalmente o que seja paz. O ego de boa vontade assina armistícios temporários, o ego de má vontade declara guerra de maior ou menor duração-. mas nem esse nem aquele sabem o que seja paz...


Paz e alegria duradouras nada têm de ver com guerra e armistício, que são do ego, de boa ou má vontade; a paz e a alegria permanentes são unicamente as do Eu divino no homem.


Onde não há autoconhecimento, experiência da realidade divina do Eu espiritual, não há felicidade, paz, alegria, Enquanto o homem conhece apenas o seu ego físico-mental-emocional, vive ele no plano da guerra e do armistício; quando descobre o seu Eu espiritual, faz o grande tratado de paz e alegria no templo da Verdade Libertadora...


Os mestres também deixaram perfeitamente claro que essa paz durável, sólida, dentro do homem e entre os homens, não é possível no plano meramente horizontal do ego para ego, mas exige imperiosamente  a superação desse plano, o ingresso na ignota zona da verticalidade do Eu. Os grandes mestres, sobre tudo o Cristo, não convidaram os seus discípulos apenas para passar de um ego de má vontade (vicioso) para um ego de boa vontade( virtuoso)-a mensagem central de todos os mestres tem um caráter metafísico, ontológico, cósmico; é a transição de todos e quaisquer planos horizontais-ego para a grande vertical do Eu da sabedoria, do "conhecimento da Verdade Libertadora..."


O ego de boa vontade é, certamente, melhor que o ego de má vontade-, mas só o Eu Sapiente está definitivamente remido de todas as suas irredenções e escravidões. Somente a Verdade, intuída e vivida, é que dá libertação real e definitiva...

O caminho da felicidade,páginas 17 a 21-Segunda edição 2005,editora Martin Claret